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09/11/2017

DR. RESPONDE - Por que algumas crianças sofrem mais efeitos colaterais com imunossupressores do que outras?

Antes de qualquer consideração específica, de modo geral os efeitos observados em qualquer situação humana, como os tipos e a magnitude de doenças, de resistências individuais, incluindo os efeitos colaterais de drogas e de imunossupressores, conectam-se à característica genômica de cada um em particular. Daí que o avanço do tratamento genético pode prevenir doenças e melhorar o tratamento das diferentes enfermidades, orientar o melhor tratamento a ser instituído com menos efeitos colaterais. Assim, em suma, a resposta de todo organismo difere da de outro em todos os aspectos, o que facilmente responde à pergunta formulada.
Prolongando o assunto, vale a recordação de alguns tópicos relacionados à imunossupressão.

Definição
Imunossupressores são medicamentos que atuam no sistema imunológico, baixando a imunidade do organismo, através da diminuição da produção de anticorpos, dado o bloqueio da proliferação dos linfócitos. Dessa forma, são medicamentos que diminuem os sintomas de uma doença autoimune ou, ainda, após o transplante de órgãos como o coração, rim, fígado e outros. Dessa maneira, o órgão transplantado, funcionando como um estranho para o novo recipiente orgânico, passa a ser agredido pelos anticorpos, que são minimizados pelos imunossupressores. 

Efeitos colaterais dos imunossupressores
No entanto, estes medicamentos provocam outros efeitos, até maléficos, para o próprio organismo, caracterizados como efeitos colaterais. O principal deles é a deficiente proteção contra as infecções, que encontram ambiente propício para sua instalação e desenvolvimento em um organismo desprotegido dos anticorpos necessários. Outros efeitos colaterais são dirigidos à rejeição do órgão transplantado, à formação de tumores, à obstruções das artérias coronárias, à hipertensão arterial sistêmica, à lesão dos rins (nefrotoxicidade), ao aumento dos lipídeos no sangue (hiperlipidemia), convulsões, tremores, hiperplasia gengival, litíase biliar, hirsutismo (pelos pelo corpo), dentre as principais.
Esses efeitos ocorrem principalmente no início do período após o transplante, estendendo-se aos primeiros anos posteriores, e se tornam menores à medida que haja evolução temporal e a diminuição das doses dos imunossupressores.

Principais imunossupressores
Vale salientar as medicações imunossupressoras mais utilizadas nos transplantes (Princípio Ativo-Nomes Comerciais®):
  • Azatioprina - Imuram® 
  • Tacrolimo - Prograf®,Tarfic®eTacrofort®
  • Ciclosporina- Sandimmum®eSigmasporim®
  • Prednisona- Meticorten®,Artinizona®, Corticorten®, Flamacorten®, Predson®, Prednax®,Prednis,Predcort®ePrecortil®.
  • MicofenolatodeSódio - Myfortic®
  • MicofenolatoMofetil - Cellcept®
  • Everolimo - Certican®
  • Sirolimo- Rapamune®

Esquema Tríplice
A combinação de medicamentos, geralmente em esquema tríplice, ou seja, com três imunossupressores, visa a garantir melhor eficácia do tratamento, pois cada um deles tem mecanismos de ação diferentes e a combinação possibilita usar doses mais seguras, evitando eventos adversos.
Nesse esquema, os três mais empregados são a ciclosporina, azatioprina e o meticorten. Mas também são efetivos outros esquemas como o tacrolimo, micofenolato mofetil e meticorten.

Cuidados e recomendações
Com a finalidade de diminuir os efeitos colaterais desses medicamentos, assim como a maior suscetibilidade a infecções e a outras complicações, recomenda-se ao paciente transplantado: lavar bem os alimentos; beber água engarrafada; higiene corporal cuidadosa; escovamento dos dentes após as refeições; usar utensílios pessoais exclusivos; vacinas protetoras mas sem vírus vivos ou atenuados; alimentação saudável cozida; evitar aglomerações e pessoas doentes, assim como ambientes contaminados como jardins, valas com água parada; ter hábitos saudáveis em geral,  na prática de esportes e na vida cotidiana.

Sobrevida após os transplantes de coração no InCor-FMUSP
Através dessas medidas de recomendação, imprescindíveis para o sucesso do tratamento de transplante cardíaco infantil, além do cuidadoso atendimento médico e farmacológico adequado, no Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, consegue-se hoje uma sobrevida de mais de 70% dos pacientes após 5 anos da execução do transplante cardíaco.

Prof. Dr. Edmar Atik 
Professor Livre-Docente de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - Médico da Cardiologia Pediátrica do Instituto do Coração (InCor) e do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio Libanês

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