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23/04/2021

DR. RESPONDE - Nessa edição, Dr. Edmar fornece as principais orientações, cuidados e dicas para pacientes cardiopatas e a COVID-19

Cardiopatias em geral e suscetíveis à doença COVID-19
Os pacientes cardiopatas, principalmente crianças e adolescentes, apresentam-se com um espectro grande de lesões, desde aquelas com nenhuma ou pouca repercussão (com sopros cardíacos sem outros sinais) até quadros incompatíveis com uma vida normal (com insuficiência cardíaca e hipóxia).

Os pais de crianças portadoras de cardiopatias congênitas (CC) tem perguntado: qual é o risco real do meu filho portador de CC nesta pandemia viral, a SARS-CoV-2? (?Síndrome Respiratória Aguda Severa? causada pelo coronavírus). Trata-se de uma dúvida bastante coerente, uma vez que muitas CC desenvolvem-se com instabilidade hemodinâmica e hipoxemia; além disso, muitas associam-se com síndromes genéticas e podem causar comprometimento imunológico.

Por outro lado, a síndrome causada pelo coronavírus é transmitida através de grandes gotículas respiratórias em contato próximo, com potencial de provocar lesões nos sistemas respiratório, cardíovascular, gastrointestinal, cerebral, o que suscita quadros variados de gravidade.

O quadro mais discreto da doença apresenta-se com tosse seca, febre, cansaço, dor de garganta, diarreia, conjuntivite, dor de cabeça e perda de olfato e do paladar. Como sintomas graves, falta de ar, dor no peito, perda da fala e dos movimentos. Esses sintomas surgem de 5 a 14 dias após a exposição ao vírus respiratório e, na maioria dos pacientes, os sintomas são discretos, cerca de 80% dos casos sendo contornados sem hospitalização. O acometimento em crianças oscila de 3,5 a 4% do total de casos, em relação ao dos adultos.

A doença incide, assim, predominantemente em adultos, sendo que idosos e pessoas com comorbidades (entre elas, doença cardiovascular) apresentam maior risco de complicações. Ao mesmo tempo, além da ocorrência menor da doença entre crianças, nelas também há menor taxa de complicações e óbitos. 

Dentre os pacientes pediátricos que tem maior risco na aquisição e repercussão da virose estão os cardiopatas com insuficiência cardíaca e com hipóxia, mas não guardam relação com maior gravidade da doença. 

No entanto, o cuidado obrigatório decorre de que os cardiopatas congênitos tem a já conhecida maior predisposição a outros vírus respiratórios, como bem se conhece em relação ao vírus Influenza e ao vírus Sincicial Respiratório.

No grupo de cardiopatias congênitas ou adquiridas sem repercussão hemodinâmica e cardiopatias que foram corrigidas por cirurgia ou cateterismo intervencionista e que estejam clinicamente bem e sem sinais de insuficiência cardíaca, o risco é semelhante ao da população pediátrica geral e a evolução da doença provavelmente se mostre benigna na maioria desses casos.

Já a população com cardiopatias congênitas ou adquiridas que apresentem repercussão hemodinâmica significativa, em período prévio ou mesmo posterior à cirurgia cardíaca (com insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar ou hipoxemia) é considerada um grupo de risco para COVID-19, porque poderá apresentar agravamento das condições ventilatórias de forma precoce e intensa diante da infecção.

Outros grupos de risco cardiológico para a COVID-19
Outra questão a ser abordada é o risco maior para as crianças transplantadas do coração. Embora ainda não tenhamos dados específicos referentes à COVID-19 em crianças transplantadas, sabemos que elas são um grupo de alto risco para infecções virais, devido ao estado de imunossupressão a que estão submetidas. 

Devo lembrar, também, pacientes com síndromes genéticas, na representatividade da mais comum delas, a síndrome de Down, com desregulação imune generalizada e crônica, com maior prevalência a doenças autoimunes, a infecções virais respiratórias e, portanto, com maior predisposição ao vírus da Covid-19.

Nos níveis molecular e celular, pessoas com síndrome de Down mostram marcadores de inflamação crônica na ausência de infecções detectáveis, como hiperatividade do interferon, níveis elevados de citocinas e quimiocinas inflamatórias potentes, e alterações em diversos tipos de células imunes, indicativas de estados celulares hiperativos e pró-inflamatórios, em relação à população em geral.

Recomendações profiláticas
Neste momento, é recomendado manter a criança com certo grau de isolamento em domicílio, evitando-se frequentar locais de aglomeração. Deve-se estar atento aos cuidadores, que também devem evitar ao máximo o contato com pessoas com sintomas gripais.

As principais recomendações consistem em isolamento e distanciamento social, uso de máscaras, lavagem frequente das mãos com água e sabão, uso de álcool em gel a 70%, desinfecção dos ambientes, que devem ser bem ventilados, distância mínima de um metro de outras pessoas, evitar abraços, beijos e apertos de mãos e não compartilhar brinquedos nem outros objetos com outras crianças, cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir e evitar aglomerações. Lembrar que a máscara deve ser usada por crianças com idade superior a dois anos e deve ser trocada sempre que ficar úmida ou a cada duas horas. Exposição desnecessária deve ser evitada e pessoas com síndrome de Down, transplantadas do coração e tomadoras de medicamentos imussosupressores, devem ficar em casa em quarentena, como profilaxia.

Cuidados adicionais
Outros aspectos de orientação profilática referem-se a atitudes e condutas que minimizem o atual estresse a que as crianças em geral estão sendo submetidas, pela restrição do convívio familiar e social. A rotina diária deve ser seguida regularmente, tanto quanto possível, mantendo regularidade nos horários de sono e do despertar, e incentivando atividades da vida diária no domicílio. Evitar muita exposição às notícias na TV. Estabelecer dieta mais saudável e equilibrada com grãos integrais, alimentos ricos em proteínas, frutas e vegetais, laticínios e gorduras saudáveis.

Se o único cuidador de uma pessoa com síndrome clínica estiver doente ou tiver um resultado positivo para a COVID-19, seu afastamento deve ser imediato sob orientação de urgente atendimento médico. Neste caso, a primeira medida é manter o isolamento social e ficar longe das outras pessoas. Os contatos próximos devem ser testados para o vírus causador da COVID-19.

DICAS 
A realização de consultas de rotina eletivas, aquelas que não sejam consideradas de urgência e emergência, deve ser postergada. No entanto, os pacientes com comprometimento clínico e hemodinâmico devem manter seus agendamentos. Recomendamos apenas um acompanhante na consulta, para evitar aglomeração nas salas de espera. Outra dica é a ampliação do intervalo entre os agendamentos. No caso de portadores de cardiopatias que estão estáveis, o adiamento da consulta pelos próximos 3 a 6 meses não acarretará agravamento do quadro cardiológico nem da estabilidade clínica. Em relação ao uso rotineiro dos medicamentos como diuréticos, betabloqueadores, inibidores de ECA e BRA, ácido acetil salicílico e anticoagulantes, até o momento, não existem evidências científicas definitivas que justifiquem inter-relação com a virose, por isso devem ser continuados.

Outras comorbidades de risco para a COVID-19
Ao lado dessas premissas, deve-se lembrar de outras comorbidades nas crianças que incrementam o risco da aquisição da virose causada pelo coronavírus. Citam-se a coexistência de asma e rinite alérgica, diabetes, obesidade, doenças neuromusculares de origem cerebral com diminuição da capacidade respiratória, doenças neuroprogressivas sob uso de imunossupressores, doença renal crônica, doenças autoimunes em uso de imunossupressores, doenças hepáticas, neoplasias, imunodeficiências e, dentre crianças abaixo de um ano de idade, aquelas com maiores predisposições. 

O maior conhecimento e os cuidados devidos e até exagerados como recomendação, são hoje ainda necessários para que todos juntos vençamos essa doença. 

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