Quando um paciente que está na fila de transplante tem a possibilidade de sair da fila e realizar o tratamento somente com medicamentos?
Muitos são os parâmetros que orientam a indicação de encaminhar um paciente ao tratamento radical do transplante cardíaco. O retrocesso dessa escolha deve-se, teoricamente, à reversão desses indicadores clínicos.
Considera-se, em linhas gerais, que um paciente deva ser submetido ao transplante quando sua condição funcional se torna extremamente limitada, manifestando-se com cansaço físico intenso que surge aos mínimos esforços (como ao dar poucos passos) ou mesmo sem nenhum esforço — quadro correspondente à classe funcional grau IV da New York Heart Association (NYHA).
Nessa condição, o coração perde a capacidade de impulsionar o volume adequado de sangue para satisfazer as necessidades básicas do organismo, sofrendo dilatação e queda na fração de ejeção (frequentemente abaixo de 20%, sendo o normal acima de 60%).
Esse contexto desfavorável pode ser revertido caso os indicadores voltem a patamares aceitáveis, com melhora da função cardíaca para níveis superiores a 30% e maior expansibilidade física.
A análise global do quadro clínico e das perspectivas de cada paciente é soberana. A reversão e a melhora obtida dependem de múltiplos fatores, tornando fundamental que o tratamento instituído seja seguido à risca e que processos orgânicos associados, como a inflamação miocárdica, sejam controlados.
Prof. Dr. Edmar Atik
Professor Livre-Docente de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Médico da Cardiologia Pediátrica do Instituto do Coração (InCor) e do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês.